Válvula termostática: Na temperatura certa

Válvula termostática tem funcionamento simples, mas é de vital importância para o bom funcionamento do motor

Manter a temperatura correta do motor é fundamental para o funcionamento adequado de qualquer veículo. Quando o motor trabalha mais frio ou quente do que deveria, há diversas consequências, como piora no desempenho, aumento do consumo de combustível e maior emissão de poluentes. Para evitá-las, um componente de origem simples é essencial para o controle de todo o processo: a válvula termostática.

Ela é uma peça do sistema de arrefecimento que facilita o alcance de forma mais rápida da temperatura ideal do motor e também sua conservação. Quando ele está frio, a válvula se fecha, impedindo que o líquido de arrefecimento circule pelo radiador e seja resfriado. À medida que o motor vai esquentando, a válvula vai se abrindo, e o líquido passa a ser resfriado no radiador. “A válvula termostática serve para manter constante a temperatura do motor, dentro de um valor determinado pela montadora. Ela começa a abrir a uma determinada temperatura um pouco mais baixa, de forma progressiva. Quando atinge a condição definida pela montadora, deve estar totalmente aberta”, explica o professor de Engenharia Mecânica e consultor técnico da CARRO, Fernando Landulfo.

A principal função da válvula termostática é fazer com que o motor funcione sob temperatura constante, dentro de uma faixa de valores especificados. Portanto, não importando o regime de funcionamento, a temperatura do motor deve permanecer entre um valor máximo e um mínimo.

Nunca remova a válvula

Um conceito que aparece nas discussões sobre manutenção automotiva é de que a válvula termostática é um componente desnecessário e que pode provocar o superaquecimento do motor. As justificativas para esse pensamento são de que, em caso de problema no acionamento da válvula, o líquido pode deixar de circular pelo radiador e fazer o motor esquentar em excesso.

Porém, a válvula jamais deve ser removida. Se o motor rodar sem ela, o sistema de arrefecimento vai apresentar problemas. “Em condições normais de funcionamento, a válvula nunca provocará superaquecimento do conjunto. Motores cujas válvulas termostáticas são retiradas operam com muita variação de temperatura. Com isso, não haverá um comportamento uniforme”, afirma Landulfo.

“Motores com sistemas mais sofisticados, dotados de rotinas de diagnóstico mais complexas, podem entrar em modo de emergência e acusar códigos de falhas. O controle da temperatura é tão importante nesses motores que muitos deles são equipados com duas válvulas termostáticas. Logo, a remoção deste componente não é uma opção”, conta o especialista.

Para não ter problemas, é necessário verificar se o veículo está com a peça correta, dentro da especificação recomendada pelo fabricante. “Há alguns testes para saber se o componente está funcionando corretamente. Um deles, por exemplo, é colocar a válvula em um recipiente com água, aquecê-la e, em determinadas temperaturas, medir a abertura da válvula e comparar com as especificações do fabricante”, revela o professor.

Além disso, é importante revisar periodicamente o sistema de arrefecimento do motor como um todo. Um cuidado básico é a troca do líquido de arrefecimento anualmente. Seu abastecimento deve seguir estritamente a proporção de aditivo determinada no manual de cada veículo. Já a válvula em si tem período de substituição diferente para cada veículo, que também consta no manual do proprietário.

Fonte: Revista Carro